Quem e Mais Importante?
Segundo a Constituicao Brasileira e do ponto de visto onto-centrico, todos tem o direito a vida desde o momento da concepcao, nao importando a idade, desenvolvimento ou condicao fisica ou mental, tamanho, estado consciente ou inconsciente, grau de inteligencia ou importancia social e familiar. Nao ha uma vida mais importante que a outra. O recem-concebido tem tanto direito a vida quanto a mae, mesmo se ele ameaca a existencia fisica dela com seu nascimento. O codigo de 1940 reconhece isso. Ele diz que o medico que abortasse por razoes de salvar a vida da mae nao sera punido, mas tal ato permanece crime.
A questao do valor do ser humano e julgado propriamente pelo SER dele e nao em vista do valor functional ou capacidade de agir. Em outras palavras, tanto a mae como o bebe sao seres humanos e tem o mesmo valor, consequentemente, nem um e nem outra tem mais direito a vida.
Alguns podem argumentar que a mae e mais importante porque precisa cuidar dos outros filhos e do marido enquanto o bebe dentro dela nao tem nenhuma responsabilidade. Essa forma de argumentar e julgar o valor do ser humano se baseia numa visao funcionalista ou valor pratico dele, daquilo que e capaz de fazer. O valor dele e julgado pela produtividade e representa a tipica visao capitalista da sociedade.
Operarios, nesta otica, sao valorizados pela quantia de coisas que podem produzir e nao pelo valor do ser da sua natureza. Um bebe com defeitos fisicos e mentais e considerado inutil pela sociedade porque e um peso financiero e economico. Ele nao e valorizado pelo ser da sua natureza. Entao precisa elimina-lo porque uma sociedade capitalista nao tem lugar por tais “produtos de concepcao” (termos utilizados dum juiz de Goiania que permitiu um aborto a pedido da mae dum anacelfico).
Se um bebe tem um cerebro que nao funciona ou nao esta ainda desenvolvido, nao significa que cessa de ser um ser humano. Ele e sim. Se o cerebro funciona ou nao, o fato dele ter um cerebro, qualifica-o como ser humano. So seres humanos tem cerebros humanos, mesmo se funcionam ou nao. A presenca dum cerebro humano e sinal da presenca dum ser humano. A presenca do ser humano exige reconhecimento dele, respeito pela sua dignidade e protecao pelas leis do Estado desde o comeco da existencia dele. Se nos fossemos julgados como seres humano no criterio somente dos momentos da funcionalibilidade dos nosso orgaos, todos nos cessariamos em certo ponto, de sermos seres humanos (quando por exemplo, estamos dormindo, anestesiados, em coma, inconscientes, etc.).
Depois, nao e o corpo humano que defina a existencia da alma, mas o contrario. No momento da concepcao, e justamente o ser da pessoa, criada por Deus do nada fora do espaco e do tempo, que assume o corpo dela nos aspectos fisicos-quantitativos. Nao e a alma que esta “dentro” do corpo, mas o corpo que esta “dentro” da alma.
Na concepcao e visao biologista Aristotelico-Darwiniana-Freudiana, tudo e julgado apenas pelo funcionalismo corporal do ser humano. Essa visao e completamente incorreta, falsa e errada. Na visao personalista, tudo parte do ser da pessoa e dependa dele. Nos nao somos “animais racionais” mas pessoas que criam vida e dao existencia fisica-quantitativa ao nosso corpo.
Na visao personalista, nao existe um “ovo fertilizado” (essa e a explicacao biologista). Cientificamente, ambos os gametes (ovo e espermatozoide) morrem, para que a pessoa humano desse existencia ao seu proprio corpo. As celulas generativas, junto com a acao da alma da pessoa humana, sao causas mutuas do corpo da pessoa. A alma da pessoa recebe na sua causalidade a materia e informacao fornecida pelos gametes e transforma suas qualidades e quantidade no seu proprio corpo.
Nao e que a alma entra naquilo que apareca ser um ovulo unido ao espermatozoide, mas recebe de forma ativa a materia dessas celulas co-ativas enquanto mutuamente perdem sua individualidade. O resultante material genetic nao e nem do pai e nem da mae, mas da nova pessoa. A alma, por meio da potencia e informacao recebido da materia exprima-se de forma corporal. A alma e uma causa formativa dentro duma substancia. E uma receptividade ativa na causalidade substancial da alma.
Na visao biologistica, tal visao jamais seria possivel. Deus cria simultaneamente nao somente a alma, mas toda a pessoa humana. Nao foram nossos pais que criaram nosso corpo, mas somente Deus. Os pais apenas apresentam uma dispocicao particular da materia atraves do qual a alma causa seu proprio corpo enquanto Deus cria a alma para expresser-se fisicamente.
Pai e mae apenas providenciam as causas intermediarias (gametes). A alma recebe essas causas e dinamicamente os transformam—transformativamente—na expressao de si em forma espaco-tempo. Na ha um corpo onde a alma “entra dentro”.
Padre Anthony Mellace
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