A MULHER DE DEUS
A plena realização da mulher consiste numa completa e total entrega de si ao Deus vivo e verdadeiro. Quando ela se humilhar e se aniquilar a ponto de deixar o seu Criador agir e transparecer nela, será, então o momento em que ela também vai resplandecer em toda a sua beleza e dignidade feminina e manifestar um espírito profundo, delicado, puro e inocente. A “recusa” dessa entrega é o caminho para a degeneração e despojamento do seu destino metafísico. O que reata para uma mulher que apagou Deus da sua existência? Muitas caem no mais miseráveis dos cultos: a do seu próprio corpo. O desmantelamento da mulher em função da idolatria do corpo para receber adulações e homenagens dos seus adeptos em vista de alimentar e satisfazer sua vaidade é um sinal profético da presença do anti-cristo e da decadência e fim da sociedade humana.
O culto que a mulher presta ao seu corpo ocorre num momento em que milhares de seres humanos esmorecem e definham numa miséria extrema. Tem algo a ver uma coisa com a outra? Na verdade é a mulher que expulsa Deus do seu jardim, fecha-se ao mesmo tempo para os seus irmãos. As fortunas ou esmolas que ela ganha são utilizadas para promover e cultivar a liturgia profana de si mesma e não para socorrer os mais necessitados. Em contraste, as mulheres ocultas e escondidas aos olhos públicos da Idade Média transmitiam com muita claridade a luz e o lindo rosto de Deus. Este “não aparecer” e “perder-se” em Deus fez com que elas reaparecessem com mais esplendor e força, completamente abertas e disponíveis para seus irmãos mais pobres e fracos. O testemunho deixado por múltiplas obras de caridade praticadas por estas mulheres de Deus (vale a pena citar alguns como, por exemplo, de Sta. Edwiges e Yolanda da Polônia, Sta Isabel e Margarida de Hungria, Sta. Clara e Margarida da Itália, Sta. Isabel e Teresa de Portugal, Sta. Adelaide da Alemanha, Sta. Catarina da Suécia, etc.) mostra a capacidade do poder feminino em reerguer e transformar a sociedade quando elas estão unidas à sua própria fonte espiritual. Nunca a mulher mostrou-se tão “mulher” ou atingiu um ápice na sua natureza feminina como nestes séculos dourados de sua história. É importante e interessante notar que nestes séculos não existiam grandes injustiças sociais. A mulher que modela a sua vida na figura de “mulher sem Deus” é um ser medíocre, individualista, absorvida em si mesma numa auto-contemplação de falsa modéstia e auto-narcisismo. É o deserto do Apocalise, estéril e sem vida, de um rosto banal e anônimo. O ateísmo feminino, na verdade, é o mais perigoso de todos e o mais temível pelas conseqüências desastrosas e incalculáveis que dele podem resultar. É preciso e bom que as filhas pródigas voltem à casa do Pai e aí experimentem novamente a alegria de uma família reunida.
Feliz o homem que tem uma mulher virtuosa, ela lhe derramará paz e multiplicará os anos de sua vida. Aquele que a possui tornar-se-á rico, pois ela lhe é uma coluna de apoio. Onde não há cerca, os bens estão expostos ao roubo; onde não há mulher, o homem suspira necessidade. (Eclo 26,1–2; 36,26-27)
Pe. Anthony Mellace
Nenhum comentário:
Postar um comentário