A riqueza dos pobres
Há uma diferença essencial entre a pobreza e a miséria. Cristo veio ao mundo para acabar com a miséria humana, e não com a pobreza. “Os pobres vós sempre tereis no vosso meio...”, Ele nos disse no Evangelho. Nós agradecemos a Deus pelos pobres porque é por meio deles que nos tornamos mais humanos e desenvolvemos dentro de nós as emoções nobres do amor, da compaixão, da bondade, da ternura e de calor afetivo. Sem os pobres (no sentido largo referimo-nos aos de baixa renda e aos discriminados pela sociedade como os de cor, deficientes físicos e mentais, etc.) todos nós permaneceríamos egoístas e nunca seríamos enriquecidos psicologicamente por falta da oportunidade de nos estarmos presentes para eles; o que estimularia dentro de nós aquelas emoções mais preciosas, belas e sensíveis que vêm de tais contatos. Sem os pobres, a própria humanidade seria empobrecida. Por meio dos pobres, todos nós somos transformados em verdadeiros ricos e pessoas verdadeiramente humanas.
É justamente por isso que muitas pessoas não gostam dos pobres, os detestam e sentem-se incomodadas por eles. Na verdade é a sua própria vida emocional que elas odeiam e não querem sentir. Os pobres apelam e provocam as emoções mais lindas dentro dessas pessoas e as despertam. É este “acordar” que elas tentam abafar e não querem que aconteça, querem continuar no sono profundo da morte emocional. Querem então eliminar os pobres da sociedade, especialmente através do aborto (a justificativa e o argumento que muitas feministas cinicamente apelam é ... “Queremos o aborto gratuito para os pobres que não têm condições financeiras para pagar...”). Tais pessoas não agem por legítimas razões sociais, morais ou espirituais, mas simplesmente por quererem eliminar o pobre, justamente porque o odeiam por ele provocar-lhes as emoções que não querem sentir...
O pobre suscita-lhes conflitos emocionais e morais e põe em questão os valores em que vivem. Estas pessoas não querem sentir as emoções humanas e sentem-se ameaçadas, irritadas e incomodadas por elas. Querem uma vida sem sentimentos ou desenvolvimento emocional. Sua vontade é continuar suas vidas fechadas em suas conchas e seladas em seus túmulos, sem se preocuparem com o outro e a condição humana em que o outro se acha. Amor, compaixão e ternura são palavras estranhas no seu vocabulário e não há lugar para isso no seu coração gelado. São morto-vivos ambulantes na prisão do seu mundo solitário, rejeitando qualquer sinal de liberdade ou crescimento emocional.
Pe. Anthony Mellace
Nenhum comentário:
Postar um comentário