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segunda-feira, 26 de março de 2012

Deus odeia dinheiro

A Amorosa Providência do Pai


          Nada neste mundo desperta tanto a ira de Deus quanto a preocupação de amontoar dinheiro com o medo de apertos financeiros. Deus desaprova, e até mesmo proíbe expressamente a inquietação pelo dia seguinte.

          No Antigo Testamento, Deus providenciava, todos os dias, o pão para os Hebreus, e os ordenou que não o reservassem para a manhã seguinte. Os que desobedeceram tal ordem e guardaram o alimento, ficaram surpresos de vê-lo apodrecido e cheio de vermes (cf. Ex 16,4; 19~20).

            A avidez do povo querendo carne garantida para sempre, independentemente da procedencia de Deus, causou neles a morte (cf. Numeros -34)

          No “Pai Nosso” Jesus ensina-nos a pedir o “pão” de “hoje” e não de amanhã, porque Deus vai providenciá-lo todos os dias. Jesus fala de não nos preocuparmos com o que haveremos de comer e de beber porque o Pai sabe de tudo. O rico infeliz que acumulou muitos bens tinha que prestar contas de sua vida naquela mesma noite, porque a morte chegou para separá-lo de tudo que ele possuía e ao qual ele confiava (cf. Lc 11,3; 12,20; 12,29).

          Deus quer que confiamos inteiramente n’Ele. Ele mesmo vai nos dizer quando será necessário ou não a reserva dos bens. Quando no Antigo Testamento falou para o povo guardar o maná por dois dias, tal pão não apodreceu (cf. Ex 16,24). Aqueles, porém, que desobedeceram novamente, não guardando o pão, mas procurando-o no dia seguinte, não o encontraram (cf. Ex 16,27).

          Jesus, do mesmo modo, ao se aproximar a Sua Paixão, admoestou os Apóstolos a guardarem bolsas, sacolas e espadas (cf, Lc 22,36).


          Deus cuida de nós até o instante que Ele acha suficiente. Durante 40 anos o povo de Israel foi alimentado no deserto por Deus com o pão do céu, carne e água da rocha. Chegando à terra prometida, tudo isso cessou, porque ali eles poderiam viver dos frutos da terra (Josué 5,12).

          Jesus alimentou também o povo que o seguia nos lugares desertos para ouvir a sua palavra.

          Nas Bodas de Caná, providenciou o vinho que faltou para os hóspedes da festa (cf. Mt 14,15~21; Jo 2,5).

          Os discípulos que foram enviados para pregar o Evangelho e expulsar os demônios, sem bolsas, sacolas ou sandálias, retornaram sem terem passado por necessidades ou miseria. Deus cuidou muito bem deles.

          Muitos acham, erradamente, que a palavra “economia” significa “pôr de lado” dinheiro ou bens materiais como reserva para um futuro imprevisível. Porém, isso está incorreto. Na verdade “economizar” quer dizer “utilizar da melhor forma” e “tirar o máximo proveito” daquilo que se dispõe, com o mínimo de perda. A idéia do “pôr de lado” resultou do abuso, do mau hábito e do vício que se aplicou a essa palavra “economia”, tornando-a uma caricatura deformada do seu sentido real. Devemos, pois, evitar a “não-utilização” dos bens com a mesma seriedade com que evitamos o desperdício (que no caso é o “mau uso de bens”). O motivo deve ser o mesmo para ambos. “Economizar” significa justamente ‘utilizar” o que possuímos.

          No Evangelho, o servo inútil que “economizou” o seu dinheiro e o sepultou num buraco foi condenado ao inferno. Este servo, apesar de não ter agido bem, também não praticou o mal; mesmo assim, foi lançado ao castigo eterno por causa da sua esterilidade material e falta de valorização dos bens confiados a ele (cf. Mt 25,28~30).

          Deus não gosta daquilo que nós chamamos de “economia”. O rico de roupas finas foi para o inferno por causa do “mau uso” dos seus bens, enquanto para o servo inútil a causa foi o “não-emprego” deles (cf. Lc 16,19). Deus quer que nós O sirvamos através de tudo quanto Ele nos confia e empresta. Para Ele, o medo de perder dinheiro, o apego pelo dinheiro e a preocupação com ele, sob qualquer forma, é um crime que atrai os piores castigos.

          Deus, porém, recompensa com eficaz segurança e auxílio aquelas pessoas para os quais o dinheiro é apenas um “meio” e jamais um “fim”; aquelas que o utilizam sem se deter nele e que permanecem indiferentes diante da riqueza. S. Vicente de Paulo era um santo que confiava inteiramente na Providência de Deus e viveu sua vida inteira sem um vintém. No entanto, cobriu a França inteira de maravilhosas instituições de caridade, por cujo intermédio, milhares e milhares de pessoas foram e continuam sendo salvas de suas misérias. Sozinho, ele criou tudo quanto se faz para o alívio dos que sofrem. Só Deus sabe o quanto S. Vicente desprezava o dinheiro (e não o economizava) e conseguiu gastar milhões de notas sem possuir nenhuma. A verdade é que o dinheiro é como mulher faceira: procura apenas quem não lhe dá importância. Se quiser ter a certeza de que ele nunca falte, então gaste aquilo que tiver. Quem abandona a idolatria e o respeito pelo dinheiro e o transforma em seu servo (ao invés de seu dono), logo descobrirá quanto é dócil e fácil conduzi-lo em vez de ser dominado por ele. Quem esvazia utilmente a sua bolsa, logo a encontrará, pois, cheia, para a necessidade presente. Até as crianças sabem disso. Dizem a seus pais: “Gaste depressa o seu dinheiro enquanto tem, porque depois, ele acaba...”

          Quando estiver quase sem dinheiro e ele lhe faltará para o dia seguinte, dá o que lhe resta: garanto que haverá no outro dia o dinheiro que lhe for necessário. Experimente isso pelo menos uma vez e você se surpreenderá com o resultado.

          Quando uma criança quer comer um segundo biscoito, a mãe lhe fala: “Acabe antes o primeiro!” Deus dá para quem não tem; não precisa dar a quem não tem necessidade de nada. É justamente “economizar” dinheiro e fazer reservas de bens o motivo pelo qual Deus deixa de vir ao nosso auxílio e que O impede de agir em nosso favor. Deus nada faz de inútil: enquanto seus dons são desnecessários para nós, Ele os recusa em da-los. Se queremos que Deus encha novamente a nossa carteira, precisamos esvaziá-la nas maos dos pobres. Salomão nos diz: “Os generosos ficam mais ricos e os que poupam seu dinheiro estao sempre na pobreza” (Provérbios 11,24). São Paulo nos diz também: “Quem pouco semeia, pouco colhe, e quem semeia na abundância, também colherá abundantemente”. Se queremos ser ricos, precisamos nos empobrecer.

          A atitude de Deus diante do dinheiro é apenas horror, desprezo e ódio. Jesus Cristo bem conhecia o perigo que o dinheiro representava e não o queria no meio dos seus seguidores. Para o jovem rico que desejava seguí-lo, ele disse: “Vai, vende tudo que possuis e daí aos pobres”. Não aceitou esse jovem porquanto a sua riqueza representava obstáculo para a obra da evangelização e motivo de divisão entre os Apóstolos (cf. Marcos 10,21).

          Jesus vivia condenando os ricos por causa dos males que criavam na sociedade com as suas riquezas. Ele recusou, igualmente envolver-Se numa questão de herança material (cf. Lucas 6,24).

          Jesus nunca mostrou tanta ira como quando chicoteou os cambistas do Templo, porque tinham introduzido o dinheiro na casa do Pai. O próprio dinheiro foi a causa da traição e a perda de Judas Iscariotes e a conseqüente Paixão e Morte de Jesus. Alguns até afirmam que o dinheiro foi inventado pelo próprio demônio, justamente como oposição e usurpação da doce caridade que Jesus praticou, ensinou e introduziu para o seguimento dos Seus fiéis. O dinheiro é a “arma do demônio, o veneno mais violento e mais exterminador do mundo”.

          Alguém pode protestar dizendo: “mas o dinheiro ajuda os pobre!” Sim, é verdade, o dinheiro pode aliviar a miséria de muitos. Porém, quem criou essa miséria, foi o próprio dinheiro! Quando nós contraímos um vírus, tomamos um antibiótico para acabar com ele. O antibiótico nada mais é que um vírus contra o outro! Para que usar o dinheiro para resolver os problemas criados por ele mesmo ao invés de cortar o mal pela raiz? Se o pão não fosse vendido, ninguém correria o risco de morrer de fome por não ter o dinheiro necessário para comprá-lo. A verdade é que o dinheiro é o grande inimigo da humanidade e de todos nós.
      
          Os primeiros Cristãos colocaram tudo em comum e ninguém passava fome ou necessidade. O único pagamento era o trabalho e o amor. Esta experiência da economia Cristã acabou por causa de alguns que mais tarde não acreditavam em tal sistema de caridade. Tal experiência, porém, poderia voltar à Igreja se todos concordassem em vivê-la e praticá-la com toda a sinceridade e de todo o coração. Para que isso aconteça, porém, é necessário que se aceite com muita fé e amor, a doce caridade de Jesus!

c/o Pe. Anthony Mellace

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