Ascese Cristã ou Tecno-sofismo?
O homem contemporâneo sofre da ilusão de que a “tecnologia toda poderosa” é capaz de resolver os seus problemas, inclusive de ordem psicológica e moral. Querem acreditar que a tecnologia é capaz de eliminar todas as nossas dores e tudo que nos incomoda na vida. É verdade que na área do sofrimento físico, os avanços tecnológicos foram uma grande bênção. Uma clínica médica ou odontológica, utilizando instrumentos ultramodernos deixa-nos aliviados por manterem ao mínimo as nossas dores. Por causa da tecnologia, o trabalho humano tornou-se menos estafante: quantos eletrodomésticos não facilitam o trabalho de donas-de-casa!?
A tecnologia na área da educação oferece inúmeras possibilidades de intercâmbios culturais e sociais. Na área do transporte, ela abrevia a distância entre países e povos e favorece o conhecimento de costumes e tradições diversas. Os computadores contribuem para ordenar e organizar eficientemente a sociedade. Mesmo assim, não podemos esquecer que a tecnologia tem limites. Além disso, não se aplica a situações que não pertencem a ela. Por exemplo, pensar que a depressão se cura com remédios mágicos, prescritos por um psiquiatra, ou que o problema da promiscuidade se resolve simplesmente com os preservativos ou que o controle de natalidade é implementado com sofisticadas técnicas abortivas é exagerar o papel da tecnologia.
Os tecnocratas que praticamente tomaram a conta da política em vários países querem realmente nos convencer que através de seus brinquedos vão de fato construir um majestoso “Motel Center Mundial”, onde todas as raças brincarão felizes, numa terra de prazeres ilimitados. O pior é que há teólogos que se deixam levar por esta euforia e tentam justificar essa mentalidade tecno-sofista. O mundo esqueceu que a graça de Deus é necessária ao homem e que sempre será. Somente os sólidos princípios de uma espiritualidade cristã sadia, herança de uma riqueza de tradição religiosa com os novos ensinos personalistas de Joao Paulo II é a resposta para as dificuldades espirituais e morais do nosso tempo e de todos os tempos.
Os mestres que possuímos são os Santos . Eles nos mostram que através de uma renúncia generosa, o dizer “não” a certas propostas da sociedade hedonista possibilita-nos chegar a um equilíbrio emocional, moral e espiritual. O homem “cata-vento” do nosso século deixa-se mover por qualquer brisa que sopra. E quando porventura cai, procura ser erguido pela onipotência do seu deus tecnológico. O problema da tecnologia é que ela age no externo, isto é, fora do homem. O homem só se transforma por dentro, ou seja, interiormente, o que é uma obra exclusiva da graça de Deus e da ascese Cristã. Não há uma tecnologia ou um remédio para debelar uma dependência como álcool, droga, etc. Isso depende da decisão e do esforço de cada pessoa, colaborando com o auxílio sobrenatural de Deus. O único “técnico” nesta luta é o próprio homem com seu Deus.
De fato, quando a tecnologia procura “macaquear” a graça, acaba, na realidade, galvanizando ou matando o homem e, desligada da moral Cristã, acaba por criar um mundo infeliz, sem sentido e sem esperança.
Pe. Anthony Mellace
Nenhum comentário:
Postar um comentário