Total de visualizações de página

segunda-feira, 26 de março de 2012

Os Limites do Dinheiro

O dinheiro compra tudo?


          O tema de uma certa novela foi expresso através de versos de uma música que tocava durante a sua abertura: “eu não tenho nome, não tenho tradição, não tenho sobrenome, mas tenho dinheiro, dinheiro compra tudo, compra o mundo inteiro”. É o que muitos pensam. Na verdade, o dinheiro foi inventado pela sociedade na tentativa de medir e converter em unidades matemáticas o valor do trabalho e das atividades humanas e os frutos da sua produção, simbolizando-os concretamente em moeda. Vale dizer que aquilo que o homem realiza e o valor com que a sociedade o estipula, possui o mesmo significado e representa a mesma coisa. Remuneração, porém, deve ser justa para que se manifeste o valor proporcional ao serviço prestado. A tarefa do homem na terra é temporal, e é por isso que o poder do dinheiro é limitado. Representa apenas o valor daquilo que o homem produz. O homem, como ser espiritual, transcende sua própria atividade, e vale muito mais do que aquilo que faz. A riqueza é o próprio ser humano que não se esgota na sua capacidade de produzir. Por este motivo, o homem vale mais do que o dinheiro que simboliza seus esforços e labores. Esta distinção é muito importante. A sociedade pode calcular o valor da obra humana, mas não é capaz de fixar o preço do próprio ser humano.

          Os economistas, por exemplo, podem avaliar que o trabalho de uma empregada doméstica vale menos do que o de um professor, ou de um médico, de um político. Isso, contudo não significa que a pessoa valha esse montante. Todos, sem exceção, possuem a mesma dignidade humana. Às vezes quem desenvolve um trabalho humilde sente-se inferior diante de outros que recebe melhores rendimentos. Cai-se, assim, no erro de medir, de determinar o seu valor pela moeda social. Pode ser que alguém, imbuído de uma responsabilidade maior, mereça mais atenção e respeito, entrementes, isso não justifica a discriminação contra os que exercem os serviços humildes. Se para Deus o homem é a mais importante criatura de todo o universo, com maior razão, ele é muito mais importante que o produto de sua labuta.

Vestir o dinheiro com poder absoluto quer dizer ao mesmo tempo, idolatrar o trabalho humano e tentar construir uma sociedade sem Deus à semelhança da Torre de Babel, do paraíso rebelde e da civilização burguesa. Quando se fecha o horizonte espiritual do homem e restando-lhe somente este mundo material, o dinheiro se torna um deus todo-poderoso e fonte de toda a ‘felicidade’. Seus servos lhe rendem culto, chegando às raias do fanatismo e se transformam em seus escravos. A ordem sobrenatural é negada porque a moeda soberba não admite descer de seu trono para devolvê-lo ao Deus verdadeiro. Por esse motivo, diz-se que o materialista é um ateu prático. Não se pode servir a Deus e a Mammon ao mesmo tempo. É reticente em aceitar que certas coisas fogem do poder pecuniário – o dinheiro não compra certos bens: Deus, Sua misericórdia e bondade, a justiça, a amizade, a salvação, o amor, a saúde, a vida, etc. Não lhe agrada a idéia que o mundo descubra a ilusão da impotência dele em conceder a felicidade neste mundo. Desculpe-me o senhor compositor da canção descrita, mas o que o senhor diz é uma mentira. O seu deus falso, infelizmente, não compra tudo.

Pe. Anthony Mellace

Nenhum comentário:

Postar um comentário