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segunda-feira, 26 de março de 2012

Deus odeia dinheiro

A Amorosa Providência do Pai


          Nada neste mundo desperta tanto a ira de Deus quanto a preocupação de amontoar dinheiro com o medo de apertos financeiros. Deus desaprova, e até mesmo proíbe expressamente a inquietação pelo dia seguinte.

          No Antigo Testamento, Deus providenciava, todos os dias, o pão para os Hebreus, e os ordenou que não o reservassem para a manhã seguinte. Os que desobedeceram tal ordem e guardaram o alimento, ficaram surpresos de vê-lo apodrecido e cheio de vermes (cf. Ex 16,4; 19~20).

            A avidez do povo querendo carne garantida para sempre, independentemente da procedencia de Deus, causou neles a morte (cf. Numeros -34)

          No “Pai Nosso” Jesus ensina-nos a pedir o “pão” de “hoje” e não de amanhã, porque Deus vai providenciá-lo todos os dias. Jesus fala de não nos preocuparmos com o que haveremos de comer e de beber porque o Pai sabe de tudo. O rico infeliz que acumulou muitos bens tinha que prestar contas de sua vida naquela mesma noite, porque a morte chegou para separá-lo de tudo que ele possuía e ao qual ele confiava (cf. Lc 11,3; 12,20; 12,29).

          Deus quer que confiamos inteiramente n’Ele. Ele mesmo vai nos dizer quando será necessário ou não a reserva dos bens. Quando no Antigo Testamento falou para o povo guardar o maná por dois dias, tal pão não apodreceu (cf. Ex 16,24). Aqueles, porém, que desobedeceram novamente, não guardando o pão, mas procurando-o no dia seguinte, não o encontraram (cf. Ex 16,27).

          Jesus, do mesmo modo, ao se aproximar a Sua Paixão, admoestou os Apóstolos a guardarem bolsas, sacolas e espadas (cf, Lc 22,36).


          Deus cuida de nós até o instante que Ele acha suficiente. Durante 40 anos o povo de Israel foi alimentado no deserto por Deus com o pão do céu, carne e água da rocha. Chegando à terra prometida, tudo isso cessou, porque ali eles poderiam viver dos frutos da terra (Josué 5,12).

          Jesus alimentou também o povo que o seguia nos lugares desertos para ouvir a sua palavra.

          Nas Bodas de Caná, providenciou o vinho que faltou para os hóspedes da festa (cf. Mt 14,15~21; Jo 2,5).

          Os discípulos que foram enviados para pregar o Evangelho e expulsar os demônios, sem bolsas, sacolas ou sandálias, retornaram sem terem passado por necessidades ou miseria. Deus cuidou muito bem deles.

          Muitos acham, erradamente, que a palavra “economia” significa “pôr de lado” dinheiro ou bens materiais como reserva para um futuro imprevisível. Porém, isso está incorreto. Na verdade “economizar” quer dizer “utilizar da melhor forma” e “tirar o máximo proveito” daquilo que se dispõe, com o mínimo de perda. A idéia do “pôr de lado” resultou do abuso, do mau hábito e do vício que se aplicou a essa palavra “economia”, tornando-a uma caricatura deformada do seu sentido real. Devemos, pois, evitar a “não-utilização” dos bens com a mesma seriedade com que evitamos o desperdício (que no caso é o “mau uso de bens”). O motivo deve ser o mesmo para ambos. “Economizar” significa justamente ‘utilizar” o que possuímos.

          No Evangelho, o servo inútil que “economizou” o seu dinheiro e o sepultou num buraco foi condenado ao inferno. Este servo, apesar de não ter agido bem, também não praticou o mal; mesmo assim, foi lançado ao castigo eterno por causa da sua esterilidade material e falta de valorização dos bens confiados a ele (cf. Mt 25,28~30).

          Deus não gosta daquilo que nós chamamos de “economia”. O rico de roupas finas foi para o inferno por causa do “mau uso” dos seus bens, enquanto para o servo inútil a causa foi o “não-emprego” deles (cf. Lc 16,19). Deus quer que nós O sirvamos através de tudo quanto Ele nos confia e empresta. Para Ele, o medo de perder dinheiro, o apego pelo dinheiro e a preocupação com ele, sob qualquer forma, é um crime que atrai os piores castigos.

          Deus, porém, recompensa com eficaz segurança e auxílio aquelas pessoas para os quais o dinheiro é apenas um “meio” e jamais um “fim”; aquelas que o utilizam sem se deter nele e que permanecem indiferentes diante da riqueza. S. Vicente de Paulo era um santo que confiava inteiramente na Providência de Deus e viveu sua vida inteira sem um vintém. No entanto, cobriu a França inteira de maravilhosas instituições de caridade, por cujo intermédio, milhares e milhares de pessoas foram e continuam sendo salvas de suas misérias. Sozinho, ele criou tudo quanto se faz para o alívio dos que sofrem. Só Deus sabe o quanto S. Vicente desprezava o dinheiro (e não o economizava) e conseguiu gastar milhões de notas sem possuir nenhuma. A verdade é que o dinheiro é como mulher faceira: procura apenas quem não lhe dá importância. Se quiser ter a certeza de que ele nunca falte, então gaste aquilo que tiver. Quem abandona a idolatria e o respeito pelo dinheiro e o transforma em seu servo (ao invés de seu dono), logo descobrirá quanto é dócil e fácil conduzi-lo em vez de ser dominado por ele. Quem esvazia utilmente a sua bolsa, logo a encontrará, pois, cheia, para a necessidade presente. Até as crianças sabem disso. Dizem a seus pais: “Gaste depressa o seu dinheiro enquanto tem, porque depois, ele acaba...”

          Quando estiver quase sem dinheiro e ele lhe faltará para o dia seguinte, dá o que lhe resta: garanto que haverá no outro dia o dinheiro que lhe for necessário. Experimente isso pelo menos uma vez e você se surpreenderá com o resultado.

          Quando uma criança quer comer um segundo biscoito, a mãe lhe fala: “Acabe antes o primeiro!” Deus dá para quem não tem; não precisa dar a quem não tem necessidade de nada. É justamente “economizar” dinheiro e fazer reservas de bens o motivo pelo qual Deus deixa de vir ao nosso auxílio e que O impede de agir em nosso favor. Deus nada faz de inútil: enquanto seus dons são desnecessários para nós, Ele os recusa em da-los. Se queremos que Deus encha novamente a nossa carteira, precisamos esvaziá-la nas maos dos pobres. Salomão nos diz: “Os generosos ficam mais ricos e os que poupam seu dinheiro estao sempre na pobreza” (Provérbios 11,24). São Paulo nos diz também: “Quem pouco semeia, pouco colhe, e quem semeia na abundância, também colherá abundantemente”. Se queremos ser ricos, precisamos nos empobrecer.

          A atitude de Deus diante do dinheiro é apenas horror, desprezo e ódio. Jesus Cristo bem conhecia o perigo que o dinheiro representava e não o queria no meio dos seus seguidores. Para o jovem rico que desejava seguí-lo, ele disse: “Vai, vende tudo que possuis e daí aos pobres”. Não aceitou esse jovem porquanto a sua riqueza representava obstáculo para a obra da evangelização e motivo de divisão entre os Apóstolos (cf. Marcos 10,21).

          Jesus vivia condenando os ricos por causa dos males que criavam na sociedade com as suas riquezas. Ele recusou, igualmente envolver-Se numa questão de herança material (cf. Lucas 6,24).

          Jesus nunca mostrou tanta ira como quando chicoteou os cambistas do Templo, porque tinham introduzido o dinheiro na casa do Pai. O próprio dinheiro foi a causa da traição e a perda de Judas Iscariotes e a conseqüente Paixão e Morte de Jesus. Alguns até afirmam que o dinheiro foi inventado pelo próprio demônio, justamente como oposição e usurpação da doce caridade que Jesus praticou, ensinou e introduziu para o seguimento dos Seus fiéis. O dinheiro é a “arma do demônio, o veneno mais violento e mais exterminador do mundo”.

          Alguém pode protestar dizendo: “mas o dinheiro ajuda os pobre!” Sim, é verdade, o dinheiro pode aliviar a miséria de muitos. Porém, quem criou essa miséria, foi o próprio dinheiro! Quando nós contraímos um vírus, tomamos um antibiótico para acabar com ele. O antibiótico nada mais é que um vírus contra o outro! Para que usar o dinheiro para resolver os problemas criados por ele mesmo ao invés de cortar o mal pela raiz? Se o pão não fosse vendido, ninguém correria o risco de morrer de fome por não ter o dinheiro necessário para comprá-lo. A verdade é que o dinheiro é o grande inimigo da humanidade e de todos nós.
      
          Os primeiros Cristãos colocaram tudo em comum e ninguém passava fome ou necessidade. O único pagamento era o trabalho e o amor. Esta experiência da economia Cristã acabou por causa de alguns que mais tarde não acreditavam em tal sistema de caridade. Tal experiência, porém, poderia voltar à Igreja se todos concordassem em vivê-la e praticá-la com toda a sinceridade e de todo o coração. Para que isso aconteça, porém, é necessário que se aceite com muita fé e amor, a doce caridade de Jesus!

c/o Pe. Anthony Mellace

O Sonho dos Tecnocratas

Ascese Cristã ou Tecno-sofismo?

 

          O homem contemporâneo sofre da ilusão de que a “tecnologia toda poderosa” é capaz de resolver os seus problemas, inclusive de ordem psicológica e moral. Querem acreditar que a tecnologia é capaz de eliminar todas as nossas dores e tudo que nos incomoda na vida. É verdade que na área do sofrimento físico, os avanços tecnológicos foram uma grande bênção. Uma clínica médica ou odontológica, utilizando instrumentos ultramodernos deixa-nos aliviados por manterem ao mínimo as nossas dores. Por causa da tecnologia, o trabalho humano tornou-se menos estafante: quantos eletrodomésticos não facilitam o trabalho de donas-de-casa!?
          A tecnologia na área da educação oferece inúmeras possibilidades de intercâmbios culturais e sociais. Na área do transporte, ela abrevia a distância entre países e povos e favorece o conhecimento de costumes e tradições diversas. Os computadores contribuem para ordenar e organizar eficientemente a sociedade. Mesmo assim, não podemos esquecer que a tecnologia tem limites. Além disso, não se aplica a situações que não pertencem a ela. Por exemplo, pensar que a depressão se cura com remédios mágicos, prescritos por um psiquiatra, ou que o problema da promiscuidade se resolve simplesmente com os preservativos ou que o controle de natalidade é implementado com sofisticadas técnicas abortivas é exagerar o papel da tecnologia.

          Os tecnocratas que praticamente tomaram a conta da política em vários países querem realmente nos convencer que através de seus brinquedos vão de fato construir um majestoso “Motel Center Mundial”, onde todas as raças brincarão felizes, numa terra de prazeres ilimitados. O pior é que há teólogos que se deixam levar por esta euforia e tentam justificar essa mentalidade tecno-sofista. O mundo esqueceu que a graça de Deus é necessária ao homem e que sempre será. Somente os sólidos princípios de uma espiritualidade cristã sadia, herança de uma riqueza de  tradição religiosa com os novos ensinos personalistas de Joao Paulo II é a resposta para as dificuldades espirituais e morais do nosso tempo e de todos os tempos.

          Os mestres que possuímos são os Santos. Eles nos mostram que através de uma renúncia generosa, o dizer “não” a certas propostas da sociedade hedonista possibilita-nos chegar a um equilíbrio emocional, moral e espiritual. O homem “cata-vento” do nosso século deixa-se mover por qualquer brisa que sopra. E quando porventura cai, procura ser erguido pela onipotência do seu deus tecnológico. O problema da tecnologia é que ela age no externo, isto é, fora do homem. O homem só se transforma por dentro, ou seja, interiormente, o que é uma obra exclusiva da graça de Deus e da ascese Cristã. Não há uma tecnologia ou um remédio para debelar uma dependência como álcool, droga, etc. Isso depende da decisão e do esforço de cada pessoa, colaborando com o auxílio sobrenatural de Deus. O único “técnico” nesta luta é o próprio homem com seu Deus.

          De fato, quando a tecnologia procura “macaquear” a graça, acaba, na realidade, galvanizando ou matando o homem e, desligada da moral Cristã, acaba por criar um mundo infeliz, sem sentido e sem esperança. 

Pe. Anthony Mellace      

Divisao Justa do Bolo

 O Direito à Propriedade


          No sistema econômico de colorido burguês-capitalista, o direito à propriedade é entendido de uma forma absoluta e total. Isso significa que as imensas reservas (latifúndios, imóveis urbanos, dinheiro ilimitado, etc.) em posse de indivíduos ou entidades, seriam intangíveis. Segundo esta filosofia mefistofélica, ninguém, nem o próprio governo pode mexer ou expropriar os bens dessas pessoas. Dentro desse esquema, o governo torna-se algo inútil e inoperante, incapaz e impossibilitado de resolver os problemas de desequilíbrio social, ao aceitar as regras de um jogo desumano e injusto. A confusão acontece em virtude da falta de uma definição de estrema importância: o princípio do direito à propriedade. Na verdade, o direito total e absoluto à propriedade só pode ser aplicado quando se trata de bens indispensáveis para a vida e desenvolvimento normal de ser humano: roupa, moradia, transporte, salário justo, capaz de satisfazer as necessidades básicas da pessoa como educação, saúde e lazer. Ninguém, seja ele ladrão, político, pastor, padre, comerciante, artista, empresário,... nem mesmo Deus, pode privar o outro dos bens essenciais à vida digna. O direito aos frutos da terra, ao crescimento humano é sagrado e inviolável.

          Ora, aquilo que, ao contrário, é supérfluo, desnecessário, excessivo, em demasia, sem o qual se pode viver dignamente, é de um direito apenas relativo. Esses bens são entregues aos homens por Deus, para serem responsavelmente administrados e distribuídos em prol dos menos privilegiados e mais pobres da sociedade. O direito a essas riquezas não é total nem absoluto. Nesse caso, o papel do Estado é garantir a utilização dessas propriedades em favor do bem comum. É um erro crasso o Estado tomar posse dos bens dos outros, transformando-se numa super empresa, porque, diga-se de passagem, é uma monstruosidade política. Não é mister do governo gerir empresas alheias, mas simplesmente exigir de quem tem mais e não precisa, dar a quem tem menos e está carente. Como o direito à essa sociedade não é absoluto nem total, mas relativo, o governo tem a liberdade e poder de assim proceder. Onde há pessoas físicas e jurídicas que administram suas fortunas em benefício dos outros, é dispensável a presença do Estado porquanto a Justiça está sendo cumprida e realizada. Exige-se o envolvimento do governo tão somente em situações nas quais os particulares estão a juntar volumosas somas de dinheiro e propriedade em seu único e exclusivo benefício (artistas, atletas, igrejas, empresas, bancos, etc.).

Pe. Anthony Mellace

Santidade Autentica

Por que existem poucos Santos?


          A santidade  não é um luxo ou passatempo, mas um dever e obrigação de todo Cristão. Jesus diz: “Sede perfeitos como vosso Pai do céu é perfeito” Mas qual é a perfeição do Pai? Será que a santidade consiste simplesmente numa perfeição moral (vivência das virtudes) e nada mais? Se fosse assim, então, muita gente seria santa. Cumprir os dez mandamentos e praticar as virtudes não são suficientes para ser santo. Para que a santidade seja autêntica, é preciso que se complete com a perfeição do amor. Jesus condenou a ‘santidade’ parcial e imperfeita. “Se a vossa justiça (idéia incompleta da santidade) não superar a dos fariseus (perfeição moral sem a caridade), não entreis no reino dos céus” É, portanto, inútil viver as virtudes sem caridade.

          O Evangelho fala de quatro casos cuja santidade não foi capaz de salvar as pessoas – embora fossem todos moralmente irrepreensíveis, faltou-lhes o essencial que era o amor:

1)    Os fariseus, rigorosos observadores da lei, desprezavam os publicanos, as prostitutas e os pobres;
2)    O jovem rico, admirado, elogiado e amado por Jesus, não foi capaz de sacrificar seus bens em favor dos menos privilegiados;

3)    O rico epulão, cumpriu os dez mandamentos e ainda assim acabou no inferno porque não deu atenção ao Lázaro que estava ferido e padecia em frente à sua porta;

4)    O irmão mais velho do filho pródigo que nunca desobedeceu a uma ordem de seu pai, não conhecia a felicidade da misericórdia e amor porque não soube perdoar seu irmão e participar da alegria do seu pai. Hoje, a noção incorreta da santidade ainda domina muitos grupos de cristãos. Temos certos evangélicos e também carismáticos que dão um exemplo bonito na prática e pregação das virtudes da castidade, modéstia, pureza, oração, perdão, gentileza, educação, humildade, etc., mas evitam e ignoram as questões sociais e os problemas dos nossos irmãos que se encontram na pobreza e na miséria.

Nós precisamos viver uma espiritualidade sã baseada numa perfeição completa, pois a santidade dividida é como uma casa construída sobre a areia: logo cai, como diz o Nosso Senhor. Não é possível, pois, observar a lei de Deus, sem viver o amor. A caridade pressupõe a perfeição moral. Conforme falou São João Evangelista: “Quem diz que ama a Deus, mas não observa seus mandamentos, é um mentiroso”. Quando o Papa falou em Florianópolis que o Brasil precisava de muitos santos, era nos dois sentidos que se referia: homens e mulheres que praticavam com coragem as virtudes morais, e homens e mulheres que viviam uma caridade intensa e heróica com os seus irmãos mais fracos e vulneráveis.

Pe. Anthony Mellace

O Poder do Poder

O Amor é Poder?


          Uma das obsessões pelos quais sofrem certos Católicos se relaciona com a idéia do poder. Torturam-se com o pensamento de que, de uma forma ou de outra, o controle e o comando de um poder temporal na sociedade, seja político ou econômico, poderiam realizar o sonho de muitas pessoas na transformação de suas vidas e na melhora de sua situação social. É por esse motivo que certos padres despendem muito tempo e energia organizando os leigos na luta pela posse do poder social. Isso, porém, não é correto. O papel do sacerdote não é organizar movimentos ou partidos políticos, mas, ao contrário, instruir, iluminar e assistir os fiéis. Os leigos não precisam de clero para lhes dizer como devem se organizar no mundo temporal onde já vivem e sabem como bem agir. Na verdade o poder que a Igreja precisa manifestar é o poder do amor. Há quem não acredite que o amor seja um poder transformador. Pensam que é algo puramente sentimental e ideal sem nenhum efeito prático.

          Se assim fosse, como se explica o fato de que, através do amor de Jesus, os homens tenham sido libertados da escravidão do pecado, os que estavam nas trevas, iluminados e os fracos, fortalecidos? O que dizer, então, dos Santos alimentados pelo amor eucarístico e que inúmeras vezes salvaram e reergueram o mundo caído na decadência e na corrupção? O testemunho do poder do amor é um caminho de paz, harmonia e tranqüilidade. A busca de um poder temporal, ao contrário, só traz conflitos e desentendimentos. Certas igrejas evangélicas (“crentes”) que estão aumentando o seu poder econômico e social, estão assustando muitos Católicos, os deixando perturbados e perplexos. Entretanto, na realidade, nada há para temer.
          Os Católicos burgueses que vivem confortavelmente neste mundo com Deus e o demônio, ficam irritados com os “crentes” porque os vêem como competidores que ameaçam tomar seus lugares e posições privilegiados na sociedade pagã. Estes ‘Católicos’ desprezam e odeiam os evangélicos, não por motivos religiosos e morais reais, mas procuram camuflar a verdadeira razão, que é, um motivo material e financeiro.

          Por sua parte, os evangélicos desafiam esses ‘Católicos’ com sua autoconfiança e ousadia comparadas às de um rato que enfrenta um elefante. Sendo a briga e a corrida na arena deste mundo, os evangélicos sabem muito bem como vencê-la. A liberdade, coragem e desapego com que eles se lançam aos projetos e obtêm sucesso, criam certa inveja e ressentimento nos corações de muitos Católicos. Ao mesmo tempo, será que esses valores assumidos e exercitados por eles não são aquelas virtudes outrora praticadas pelos proprios Catolicos, mas agora por eles abandonadas para melhor servirem e dedicarem-se aos ídolos deste mundo?

Pe. Anthony Mellace

Instituicoes Catolicas ou Burguesas?

As instituições Católicas

 

          Quando falamos de um hospital, rádio, televisão, jornal, escola, universidade ou livraria Católica é necessário definir com clareza estas instituições para não criar confusão na cabeça daqueles que não têm a noção certa de tais entidades. Teologicamente falando, não existe nesta vida uma instituição Católica, mas instituições de inspiração Católica. As instituições sociais podem ser iluminadas e até melhoradas pela Fé Católica, mas não podem ser confundidas ou colocadas no mesmo nível de importância da Igreja Católica que é um fundamento Divino. As instituições Católicas são de um fundamento humano e, por melhores que sejam, são sujeitas às imperfeições, defeitos e falhas humanas.

          Se alguém ficou decepcionado, ou reclama de uma instituição Católica por causa de algum defeito, atrito ou injustiça que recebeu dela, isso não é motivo para abandonar a Fé Católica. Essa pessoa confundiu sua Fé (que vem de Deus) com uma entidade humana de inspiração Católica. Por não fazer distinção, caiu no erro de identificar as duas como se fossem uma só coisa. O único lugar onde se acha verdadeiramente uma Universidade Católica é na Santíssima Trindade, onde há uma perfeita e ilimitada sabedoria de Deus. O mesmo se pode dizer de um hospital Católico: existe somente na Santíssima Trindade que tem a infinita e poderosa misericórdia de Deus, que cuida de todos nós. A perfeita e transparente comunicação da pura e total verdade (o que nenhuma rádio, televisão ou jornal Católico possui) também só existe na circunsessão, isto é, na união íntima das três Pessoas Divinas, no mistério da Trindade.

          Agora a pergunta: O que é uma instituição de inspiração Católica? É o reino de Deus num particular ambiente da sociedade, seja na área da educação, saúde ou meios de comunicação. Mas, o que quer dizer, “promover o reino de Deus”? É de seguir e aplicar os ensinamentos de Jesus Cristo e da Igreja nos setores sociais. Por exemplo, se a Igreja no Brasil fez a opção preferencial pelos pobres, as instituições Católicas também devem fazer esta opção preferencial. O acesso para os pobres numa escola, ou hospital Católico deve ser prioridade quando se escolhem os candidatos. A opção preferencial para os pobres significa que os pobres e os menos privilegiados da sociedade têm prioridade em todas as instituições Católicas. Quando existir esta prioridade, as instituições que se chamam Católicos vão realmente refletir para os pobres e para a sociedade o autêntico rosto de Cristo e da Igreja. Caso contrário, ao fazer opção preferencial pelos ricos e poderosos, se fará um contra-testemunho (ou até mesmo escândalo) que revelará contradições entre o ensinamento da Igreja e a prática das instituições de ‘inspiração’ Católica.
Pe. Anthony Mellace

Profetismo Artistico

O Profetismo na Música Brasileira


          Uma das coisas bonitas e preciosas na música dos compositores e cantores brasileiros são certas jóias do profetismo artístico. Vale a pena citar algumas dessas composições: o melódico e poético “Trem das Sete” de Raul Seixas é uma obra apocalíptica, que nos alerta, de um modo alegórico, a respeito da majestosa vinda de Jesus e do acerto de contas feito nesse momento dramático. A canção emocionante e terna “Os Meninos do Brasil” interpretada por Chitãozinho e Xororó, exprime e descreve em detalhes, de uma maneira ousada, para o mundo de fora, a vida e a situação impiedosa, dura e chocante das crianças abandonadas nas ruas hostis das nossas cidades.

Uma outra música de tom apocalíptico que é uma obra assaz inteligente “O Último Julgamento” de Léo Canhoto e Robertinho, critica severamente o abuso de liberdade e talentos humanos que, ao invés de serem utilizados em benefício da humanidade, foram empregados contra o próprio homem. A linda canção “Quintal do Vizinho” de Roberto Carlos, nos ensina uma humilde lição sobre a beleza e charme de um simples ato de caridade feito em favor do próximo. Uma outra composição deste cantor popular “Eu Quero Apenas” também nos ensina a felicidade e o valor da amizade, especialmente quando se compartilham os próprios sonhos, aspirações, alegrias e ideais e o sentido da própria vida.

 Uma outra canção profética de Chitãozinho e Xororó “Planeta Azul”, amaríssima, que lamenta tristemente e reclama do desequilíbrio e dano do mundo ecológico causado pelos homens cúpidos que exploram-no sem quaisquer responsabilidades. Canta, outrossim, a vingança da própria natureza contra os inimigos que a atacam. Embora a célebre canção “Romaria” de Renato Teixeira interpretada por vários artistas seja uma história pessoal, ela presta uma homenagem honrosa e popular à figura de Nossa Senhora de Conceição Aparecida numa fé simples, humilde e devota.

Pe. Anthony Mellace

Os Limites do Dinheiro

O dinheiro compra tudo?


          O tema de uma certa novela foi expresso através de versos de uma música que tocava durante a sua abertura: “eu não tenho nome, não tenho tradição, não tenho sobrenome, mas tenho dinheiro, dinheiro compra tudo, compra o mundo inteiro”. É o que muitos pensam. Na verdade, o dinheiro foi inventado pela sociedade na tentativa de medir e converter em unidades matemáticas o valor do trabalho e das atividades humanas e os frutos da sua produção, simbolizando-os concretamente em moeda. Vale dizer que aquilo que o homem realiza e o valor com que a sociedade o estipula, possui o mesmo significado e representa a mesma coisa. Remuneração, porém, deve ser justa para que se manifeste o valor proporcional ao serviço prestado. A tarefa do homem na terra é temporal, e é por isso que o poder do dinheiro é limitado. Representa apenas o valor daquilo que o homem produz. O homem, como ser espiritual, transcende sua própria atividade, e vale muito mais do que aquilo que faz. A riqueza é o próprio ser humano que não se esgota na sua capacidade de produzir. Por este motivo, o homem vale mais do que o dinheiro que simboliza seus esforços e labores. Esta distinção é muito importante. A sociedade pode calcular o valor da obra humana, mas não é capaz de fixar o preço do próprio ser humano.

          Os economistas, por exemplo, podem avaliar que o trabalho de uma empregada doméstica vale menos do que o de um professor, ou de um médico, de um político. Isso, contudo não significa que a pessoa valha esse montante. Todos, sem exceção, possuem a mesma dignidade humana. Às vezes quem desenvolve um trabalho humilde sente-se inferior diante de outros que recebe melhores rendimentos. Cai-se, assim, no erro de medir, de determinar o seu valor pela moeda social. Pode ser que alguém, imbuído de uma responsabilidade maior, mereça mais atenção e respeito, entrementes, isso não justifica a discriminação contra os que exercem os serviços humildes. Se para Deus o homem é a mais importante criatura de todo o universo, com maior razão, ele é muito mais importante que o produto de sua labuta.

Vestir o dinheiro com poder absoluto quer dizer ao mesmo tempo, idolatrar o trabalho humano e tentar construir uma sociedade sem Deus à semelhança da Torre de Babel, do paraíso rebelde e da civilização burguesa. Quando se fecha o horizonte espiritual do homem e restando-lhe somente este mundo material, o dinheiro se torna um deus todo-poderoso e fonte de toda a ‘felicidade’. Seus servos lhe rendem culto, chegando às raias do fanatismo e se transformam em seus escravos. A ordem sobrenatural é negada porque a moeda soberba não admite descer de seu trono para devolvê-lo ao Deus verdadeiro. Por esse motivo, diz-se que o materialista é um ateu prático. Não se pode servir a Deus e a Mammon ao mesmo tempo. É reticente em aceitar que certas coisas fogem do poder pecuniário – o dinheiro não compra certos bens: Deus, Sua misericórdia e bondade, a justiça, a amizade, a salvação, o amor, a saúde, a vida, etc. Não lhe agrada a idéia que o mundo descubra a ilusão da impotência dele em conceder a felicidade neste mundo. Desculpe-me o senhor compositor da canção descrita, mas o que o senhor diz é uma mentira. O seu deus falso, infelizmente, não compra tudo.

Pe. Anthony Mellace

A Cegueira do Rico

O Silêncio dos Rico

 

O rico é capaz de dialogar com a sociedade? Que sentido tem este  silêncio diante das graves questões de injustiça, miséria e fome de milhares de adultos e crianças ao redor dele? Será que ele possui as convicções ou liberdade moral para realizar as mudanças e reformas sociais? Por acaso esse silêncio não seria o sinal de um túmulo humano,, ou corpo sem vida ou alma? Uma pessoa humana é, por natureza ou definição, um ser aberta aos outros e aos quais se relaciona. Ora, não seria um exagero dizer que o rico é um ser desumano se ele se isola dos outros num individualismo ou materialismo pessoal e colocar barreiras intorno de si igual a uma fortaleza inacessível?

Mas o que significa “ser aberto aos outros”? Podemos sublinhar cinco pontos principais:

1)    Reconhecer a existência do outro;
2)    Afirmar o valor e a dignidade do outro como ser espiritual, independente de seus defeitos, talentos ou posse de bens e situacao financeira;
3)    Deixar-se atingir pelo bem que o outro transmite;
4)    Possuir uma sensibilidade pelas necessidades e dificuldades do outro e da sua situação;
5)    Agir em favor do outro com nossos próprios meios e recursos.

Para o rico dominado pelo egoísmo, o pobre não entra em seu vocabulário e, se alguém, por acaso mencioná-lo, tal pessoa é capaz de não ser mais convidado à sua casa. Se existem poucos, muitos ou milhares de pobres perto ou longe, ele não se importa. Para o rico, o pobre não é gente. Para o rico, o outro tem apenas valor comercial, se ele é útil ou não para produzir; ele só o interese se é oportuno investir nele para conseguir algum lucro. Respeito, atenção, preferência e serviço são medidos e concedidos para o outro conforme as condições que este tem para retribuir. Comunhão e comunicação não existem na sociedade comandada pela moeda. é uma guerra brutal de competição selvagem, sem piedade, cheia de invejas, ciúmes, brigas, orgulho, vaidade, ambição, cinismo, ódio, etc. Com tudo isso, o rico ainda tem a presunção de convencer a grande massa da humanidade que o seu estilo de vida é o verdadeiro paraíso, desejado e cobiçado por todos. É verdade que o dinheiro resolve muitos problemas, mas dizer que isso é o ponto final de nossa existência é sufocar o espírito humano e criar um inferno na terra.

          O homem, sendo uma pessoa humana, se comunica e entra em comunhão com os outros através de sua personalidade. Há três meios principais de comunicação entre homens: a espiritualidade, a arte e o amor. As pessoas no céu se entendem perfeitamente e se comunicam através da graça de Jesus Cristo, que abre todos os corações como as flores na primavera. Os cristãos na terra se conhecem intimamente e testemunham um alto nível de união e comunhão por meio desta mesma graça. A música, a pintura, a literatura, etc. unem os homens de várias culturas e épocas.Todos entendem ela. O amor abre o coração de qualquer um e sua magia cria comunhão entre as pessoas.

          A graça, a arte e o amor não se criam ou se compram com o dinheiro. Vêm de um mundo desconhecido ao rico. O rico que tiver a humildade de inverter os seus valores, e dar a primazia ao ser humano, ao invés de dá-la ao dinheiro, vai conhecer também este mundo e experimentar toda a sua dignidade humana que não se mede com financias.

Pe. Anthony Mellace

sexta-feira, 23 de março de 2012

Novas Ideias Politicas

Juntando as Forças


          Existem na sociedade certos problemas que são tão complexos, graves e até fora de controle que, se forem simplesmente deixados para os nossos representantes eleitos resolverem, nunca chegaríamos a uma solução.

          Tais questões, como, por exemplo, a reforma agrária, o crime, a violência, as drogas, etc., não podem ser solucionadas por aqueles que praticamente não estão mais à altura da situação (prefeitos, vereadores, delegados, governadores, ou mesmo o próprio presidente da República). Eles não possuem nem a sabedoria e nem forças para enfrentar esses desafios que sao mais poderosos que eles.

          O que é necessário é constituir uma autoridade maior. Se o governo legítimo permitisse, por exemplo, que se unisse a eles outros líderes como os representantes de diversas igrejas, da cultura e da comunicação, com uma voz ativa numa organicacao  suprema, numa espécie de conselho supra-político, criado e convocado para tratar de assuntos de particular urgência e importância nacional, os seus resultados seriam muito melhores do que o da política atual. Este órgão supremo não perderia tempo em discutir assuntos que a política normal fosse capaz de resolver, mas trataria de temas e situações realmente sérias e graves que envolvessem a nação inteira.

          Tal estrutura precisaria ser definida juridicamente e que levasse em conta também a participação do povo. O estabelecimento de tal instituição supra-política é indispensável para o bem do país. A estrutura desatualizada e atrasada da política contemporânea não consegue mais acompanhar o tempo e é por isso que é incompetente para encontrar respostas adequadas para o mundo moderno. Ela, de fato, está condenada a morrer esmagada e sepultada sob o peso de um edifício político do qual não quis salvar-se por não ter tomado as providências de uma reforma necessária. Os membros que tomariam parte de tal conselho seriam definidos e suas decisões respeitadas por todos. O povo faria a sua parte através de um plebiscito para aprovar ou não o que foi proposto pelo órgão supremo. A decisão final torna-se, pois, a lei nacional da qual ninguém se oporia.

Pe. Anthony Mellace

Do Capital e Do Social

A questão delicada do PT


          Um Católico pode ou não filiar-se e/ou votar no PT? A resposta a esta pergunta não é fácil, mas, antes de responder, vamos analisar as críticas levantadas por aqueles que não concordam com este partido.

          O primeiro argumento é que o PT estaria a favor da abolição da propriedade privada que é um direito fundamental do homem. É verdade que todos nós temos o direito a uma moradia, um meio de transporte, imóveis, bens materiais, dinheiro, etc., mas, no sistema capitalista burguês, quantos são aqueles que de fato possuem tais bens, ou podem dizer que exercem tal direito? O capitalismo burguês não aboliu praticamente a propriedade privada na vida de muitos, colocando muito nas mãos de poucos? Será que esse argumento da propriedade privada não é um modo de proteger as fortunas dos ricos que estão com medo de perder tudo?

          O segundo argumento é que PT estaria promovendo a violência e a luta entre as várias classes sociais; mas, como se explica a violência nas favelas, no comércio, nos hospitais, nas escolas e nas ruas, que é o fruto de espírito de ganância, ambição e consumismo provocado por um capitalismo selvagem? A classe burguesa, por acaso, trouxe a paz na sociedade?

Um terceiro argumento é que PT seria um partido de ateus; mas o deus do capitalismo é um deus justo e cristão? Ou não é, porventura um deus do dinheiro?

          Um quarto argumento é que o PT estaria a favor do aborto; mas como se justificam os abortos por anti-concepcionais no Brasil? (na verdade, o termo certo seria “desviadores-concepcionais” porque destruam um ser humano ja concebido, e nao conseguem impedir sua concepcao) O Brasil é campeão  de aborto  por meios dos “pos”conceptivos (IUD, abortificientes, etc)– resultado de uma sociedade consumista, proveniente de um pensamento capitalista que crê que as coisas materiais são mais importantes e sagradas que o próprio ser humano.
Um quinto argumento é que o PT estaria a favor do homo-erotismo-genital; mas que resposta o capitalismo dá perante a situação de prostituição, menores abandonados e promiscuidade que ele mesmo criou com a sua idolatria da moeda?

O PT, na verdade, possui muitos pontos positivos: é praticamente o único partido que tem uma filosofia política (os outros, nem sempre sabem dizer por que existem, quais são seus princípios fundamentais, e assim, apresentam objetivos e finalidades ambíguas, incoerentes e confusas. O …, por exemplo, nos seus estatutos, dedica apenas duas ou três linhas, a razão da sua existência como partido. O resto do livro é pura burocracia. Na verdade, os partidos capitalistas não tem qualquer finalidade senão simplesmente seus bolsos).

          Agora, vamos responder à pergunta: se o Católico pode ou não votar no Partido dos Trabalhadores. Bem, se o PT respeitar todos os direitos humanos do pobre, sem violar nenhum deles, o Católico pode votar no partido. Agora, se o PT negar um só destes direitos fundamentais do homem, o Católico em sã consciência, não pode votar n o PT (ou peca gravemente). O PT não pode afirmar certos direitos e negar os outros, senão estaria em contradição e incoer6encia com seu desejo de libertar o homem. Daí o oprimido vira opressor. O PT não pode negar ao homem o direito de ser dono do fruto do seu trabalho. O PT Não pode negar o direito à vida para cada ser humano, mesmo que ainda não tenha nascido. O PT não pode negar o direito à família de se desenvolver segundo o verdadeiro amor, e não segundo uma promiscuidade ou perversidade sexual. Para que o PT liberte o homem de suas misérias, precisa enxergá-lo na sua totalidade, e, por isso é indispensável que corrija sua visão míope que tem dele; do contrário, não haverá libertação e cairemos todos numa (outra) grande ilusão de fantasias.

Pe. Anthony Mellace

Implantando a Democracia Verdadeira no Brasil

Momentos Privilegiados da Democracia


          A idéia de uma associação de bairros é uma oportunidade concreta para manifestar e exercitar o espírito democrático da parte do povo simples e pobre. Na verdade, os sistemas políticos e econômicos atuais são de tal forma complexos e burocráticos que é muito difícil, ou praticamente impossível a uma pessoa de pouco peso ou importância social receber algum serviço ou benefício. Numa associação de bairros, uma pessoa humilde tem abertura e liberdade perante a comunidade local, para expor e desenvolver suas idéias, desejos, necessidades e aspirações legítimas. É uma autêntica democracia porque todos têm o direito de participar, dialogar e discutir seus problemas e anseios independentemente da raça, cor, religião, sexo e idade.

          Os estatutos da associação devem ser compostos pelo próprio povo, expressar sua vontade e basear-se nos direitos e dignidade do homem, A associação não é um governo paralelo que compete com as autoridades legítimas, ao contrário, é algo que as complementam. O mecanismo político do país que tem a mania de centralizar todo o poder, é inadequado e incapaz de atingir e resolver todas as situações que surgem nos vários setores da sociedade e, menos ainda nas áreas mais carentes. É uma estrutura antiquada e decadente e herança da classe burguesa que necessita urgentemente de reforma social.

          Uma associação de bairros não é criada somente para reclamar das valetas e buracos nas ruas – tem outras finalidades mais elevadas e nobres. Antes de tudo, tem a função sociologica de fazer a avaliação da realidade local: saneamento, alimentação, saúde, educação, moradia, segurança, nível salarial, transporte, recreação, ambiente, cultura, etc., bem como aspecto moral: prostituição, drogas, assaltos, menores abandonados, etc. Este levantamento alivia e auxilia muito o trabalho da prefeitura que, muitas vezes, não tem condição de conhecer detalhadamente os problemas dos bairros. Apoiada por esses “mini-governos”, ela fica mais livre para atender com mais rapidez e eficiência as necessidades do povo.

A associação tem uma função informativa também – ela serve como um meio eficaz de comunicação entre os órgãos públicos e o povo, trazendo informações sobre atividades, serviços públicos e decisões legislativas para o povo e levando a opinião pública para o governo. Incentiva o maior diálogo e colaboração entre o governo e o povo. No período das eleições, as associações podem aproveitar a ocasião para apresentar e divulgar para o povo, de modo objetivo as idéias, projetos e propostas dos diversos partidos e candidatos.

          A associação tem, pois, a funçao e finalidade educativa. Na medida do possível, deve promover cursos, palestras e debates sobre matérias e assuntos ligados à filosofia social e política para que instrua, ilumine e prepare o povo para participar na vida social com mais inteligência e maturidade. Ora, para aquelas associações que possuem uma certa estabilidade e firmeza, a prefeitura deveria conceder um certo reconhecimento jurídico, com maior liberdade e poder para agir com mais autonomia nas suas regiões. Se a associação é competente para resolver muitos problemas sem a necessidade de recorrer à prefeitura, para que impedi-la de agir? Eis o princípio da subsidiariedade aplicado na política.

          Lembramos, pois, que a democracia mais liberal do mundo, isto é, dos Estados Unidos começou justamente através das freqüentes reuniões dos cidadãos comuns em pequenas aldeias, para debater e questionar as leis que vinham da Inglaterra a fim de analisar se essas decisões de ‘fora’ não ameaçavam a sua liberdade e a dignidade humana.
Pe. Anthony Mellace

quinta-feira, 22 de março de 2012

Direitos dos Pobres

Propriedade Privada e Necessidades Humanas

 

        No seu ensino sobre a propriedade privada, Santo Tomás de Aquino diz que isso pode se transformar em propriedade comum em benefício daquelas pessoas que, após ter experimentado e tentado todos os meios legítimos para a própria sobrevivência, não conseguiram nenhuma solução. Por exemplo, uma pessoa desempregada, sem salário ou recursos que esteja passando fome, pode simplesmente pegar de uma feira ou supermercado alguma coisa de que ela precisar, porque nesse caso particular, a propriedade privada de quem dela sobre em abundancia, torna-se propriedade comum para as pessoas carentes. Isso não é um roubo. O roubo seria o caso de alguém que, tendo dinheiro ou condições para trabalhar, prefere um meio desonesto, preguicoso e ilegal para sobreviver.

        Este princípio aplica-se também no caso dos sem-terra. Se de fato estão sem moradia ou recursos para viver, podem, sem nenhum problema “ocupar” (“invadir” não é um termo correto porque sugere uma transgressão do direito alheio) as terras desocupadas dos outros que nesse caso se torna uma propriedade comum e deixam de ser privada. Os juristas estão equivocados em defender os interesses dos latifundiários sem exceção. Eles têm o dever de sintonizar as leis humanas ao princípio tomista da propriedade comum. Não existe o direito absoluto à propriedade. Isso já foi condenado pelos Papas Leão XIII e Pio XI que disseram que os ricos, em justiça (e não na caridade) são obrigados a entregar o seu supérfluo para o sustento do pobre.

        O princípio da propriedade comum aplica-se também em casos de aluguel e pagamentos de contas de luz, água, etc. Uma pessoa desempregada que ganha pouco ou nada, não é obrigada a pagar estas dívidas, além da sua renda. O proprietário não tem direito de jogá-la para fora da casa se tal pessoa não tem condição de pagar. O governo não pode cortar a luz ou a água do pobre, se eles não têm dinheiro para pagar as contas. Tais indivíduos, devido às suas condições econômicas nesses casos, não têm obrigação moral de pagar aquilo que excede seus meios e que na verdade tornou-se propriedade comum.

        Muitas pessoas com baixos salários, que sentem pressionadas a pagar coisas essenciais para sobrevivência, acabam caindo na depressão, se tornam alcoólatras, sofrem de estresse e tensão...  imaginando que são obrigadas a pagar tais dívidas, mas não sabem que em consciência estão livres de tais obrigações, e que os homens não têm direito de exigir dos outros mais do que podem. Nesse sentido, os confessores têm uma grande tarefa de aliviar e iluminar as consciências dessas pessoas que carregam jugos pesados.

        É “engraçado” que tem gente que até entra na prostituição para conseguir dinheiro para pagar suas contas e acham que tal profissão não é imoral: ao contrário, pensam que não pagar essas dívidas é um grande pecado... Na verdade o inverso é o correto. Ela, em consciência está dispensada da dívida.

Pe. Anthony Mellace

Historia do Rico e Pobre no Ceu

“Parábola moderna de Lázaro e do rico”


          Numa mansão esplêndida situada numa das altas colinas do céu, o anjo Gabriel entrou na sala principal do palácio para conversar com o pai Abraão.

Gabriel:
“Pai Abraão, há dois homens querendo falar com o senhor diante do portão. O senhor pode atendê-los?”

Abraão: “Quem são eles?”

Gabriel:
 “Um está bem vestido, de terno e gravata, de boas maneiras e educação. O outro é pobre e muito simples, de cor escura e roupa modesta. Os dois querem entrar no céu”.

Abraão: “Eu vou atendê-los já”.

            Através de um interfone, acompanhados por quatro cães “rottweiller”, o pai Abraão pergunta ao primeiro homem:
“O senhor é Católico?”

Respondeu Rufino, o homem rico:
“Sim senhor, Católico praticante. Batizei meus filhos na Igreja. Fiz a primeira comunhão e a crisma. Sou casado no civil e no religioso. Nunca perdi uma Missa de domingo. Sou ministro da Eucaristia”.

Abraão: (dirigindo-se a Lázaro) “Você também é Católico?”

Lázaro: “Sim senhor. Eu faço minhas orações toda noite e peço a Deus pela saúde de minha família e agradeço sempre pelos benefícios divinos. Sou um homem honesto e trabalhador”.

Abraão: (apontando para o rico) “Você conhece o homem ao seu lado?”

Lázaro: “Sim senhor. Eu trabalhei como jardineiro no seu quintal”.

Abraão: “Como ele o tratou?”

Lázaro: “Trabalhei vinte anos para ele. Ele nunca deixou de me pagar”.

Abraão: “Quanto você ganhava?”

Lázaro: “Cinqüenta reais por mês”.
Abraão: “Tinha carteira assinada?”

Lázaro: “Não, senhor”.

Abraão: “Por que tem essas feridas?”

Lázaro:
 “Um dia sofri um acidente. Eu pedi a ajuda dele porque não tinha dinheiro suficiente para o médico, medicamentos e hospital. Ele respondeu que não tinha condições de me ajudar e, por falta de recursos, fiquei aleijado”.

Abraão: “Rufino, o que você fazia enquanto vivo?”

Rufino: “Era dono de uma rede de padarias”.

Abraão: “Qual era o lucro líquido por mês de cada padaria?”

Rufino: “Mais ou menos de quinze a 20 mil reais por mês”.

Abraão: “ Lázaro, e a sua esposa?”

Lázaro: “Ela me abandonou e me deixou com quatro filhos. Não agüentava mais a nossa situação de pobreza”.
 
Abraão: “Para onde ela foi?”

Lázaro:
“Para a prostituição na Espanha. Porém, um dia freqüentou uma reunião da Renovação Carismática e lá se converteu”.

Abraão: “Quanto ela ganhava nos boates?”

Lázaro:
“1,500 dollars por semana, inclusive encontrou-se com Rufino e alguns amigos dele”.

Abraão:
 “Gabriel, mande Lázaro entrar. Com relação ao Rufino, mostre-lhe a porta do  lugar conforme suas ações o determinam”.

Pe. Anthony Mellace





Big Sister Brasil (BSB)


     A MULHER DE DEUS

            A plena realização da mulher consiste numa completa e total entrega de si ao Deus vivo e verdadeiro. Quando ela se humilhar e se aniquilar a ponto de deixar o seu Criador agir e transparecer nela, será, então o momento em que ela também vai resplandecer em toda a sua beleza e dignidade feminina e manifestar um espírito profundo, delicado, puro e inocente. A “recusa” dessa entrega é o caminho para a degeneração e despojamento do seu destino metafísico. O que reata para uma mulher que apagou Deus da sua existência? Muitas caem no mais miseráveis dos cultos: a do seu próprio corpo. O desmantelamento da mulher em função da idolatria do corpo para receber adulações e homenagens dos seus adeptos em vista de alimentar e satisfazer sua vaidade é um sinal profético da presença do anti-cristo e da decadência e fim da sociedade humana.
          O culto que a mulher presta ao seu corpo ocorre num momento em que milhares de seres humanos esmorecem e definham numa miséria extrema. Tem algo a ver uma coisa com a outra? Na verdade é a mulher que expulsa Deus do seu jardim, fecha-se ao mesmo tempo para os seus irmãos. As fortunas ou esmolas que ela ganha são utilizadas para promover e cultivar a liturgia profana de si mesma e não para socorrer os mais necessitados. Em contraste, as mulheres ocultas e escondidas aos olhos públicos da Idade Média transmitiam com muita claridade a luz e o lindo rosto de Deus. Este “não aparecer” e “perder-se” em Deus fez com que elas reaparecessem com mais esplendor e força, completamente abertas e disponíveis para seus irmãos mais pobres e fracos. O testemunho deixado por múltiplas obras de caridade praticadas por estas mulheres de Deus (vale a pena citar alguns como, por exemplo, de Sta. Edwiges e Yolanda da Polônia, Sta Isabel e Margarida de Hungria, Sta. Clara e Margarida da Itália, Sta. Isabel e Teresa de Portugal, Sta. Adelaide da Alemanha, Sta. Catarina da Suécia, etc.) mostra a capacidade do poder feminino em reerguer e transformar a sociedade quando elas estão unidas à sua própria fonte espiritual. Nunca a mulher mostrou-se tão “mulher” ou atingiu um ápice na sua natureza feminina como nestes séculos dourados de sua história. É importante e interessante notar que nestes séculos não existiam grandes injustiças sociais. A mulher que modela a sua vida na figura de “mulher sem Deus” é um ser medíocre, individualista, absorvida em si mesma numa auto-contemplação de falsa modéstia e auto-narcisismo. É o deserto do Apocalise, estéril e sem vida, de um rosto banal e anônimo. O ateísmo feminino, na verdade, é o mais perigoso de todos e o mais temível pelas conseqüências desastrosas e  incalculáveis que dele podem resultar. É preciso e bom que as filhas pródigas voltem à casa do Pai e aí experimentem novamente a alegria de uma família reunida. 

        Feliz o homem que tem uma mulher virtuosa, ela lhe derramará paz e multiplicará os anos de sua vida. Aquele que a possui tornar-se-á rico, pois ela lhe é uma coluna de apoio. Onde não há cerca, os bens estão expostos ao roubo; onde não há mulher, o homem suspira necessidade.   (Eclo 26,1–2; 36,26-27)

Pe. Anthony Mellace

A Nobre Missao do Pobres

A riqueza dos pobres

Há uma diferença essencial entre a pobreza e a miséria. Cristo veio ao mundo para acabar com a miséria humana, e não com a pobreza. “Os pobres vós sempre tereis no vosso meio...”, Ele nos disse no Evangelho. Nós agradecemos a Deus pelos pobres porque é por meio deles que nos tornamos mais humanos e desenvolvemos dentro de nós as emoções nobres do amor, da compaixão, da bondade, da ternura e de calor afetivo. Sem os pobres (no sentido largo referimo-nos aos de baixa renda e aos discriminados pela sociedade como os de cor, deficientes físicos e mentais, etc.) todos nós  permaneceríamos egoístas e nunca seríamos enriquecidos psicologicamente por falta da oportunidade de nos estarmos  presentes para eles; o que estimularia dentro de nós aquelas emoções mais preciosas, belas e sensíveis que vêm de tais contatos. Sem os pobres, a própria humanidade seria empobrecida. Por meio dos pobres, todos nós somos transformados em verdadeiros ricos e pessoas verdadeiramente humanas.
É justamente por isso que muitas pessoas não gostam dos pobres, os detestam e sentem-se incomodadas por eles. Na verdade é a sua própria vida emocional que elas odeiam e não querem sentir. Os pobres apelam e provocam as emoções mais lindas dentro dessas pessoas e as despertam. É este “acordar” que elas tentam abafar e não querem que aconteça, querem continuar no sono profundo da morte emocional. Querem então eliminar os pobres da sociedade, especialmente através do aborto (a justificativa e o argumento que muitas feministas cinicamente apelam é ... “Queremos o aborto gratuito para os pobres que não têm condições financeiras para pagar...”). Tais pessoas não agem por legítimas razões sociais, morais ou espirituais, mas simplesmente por quererem eliminar o pobre, justamente porque o odeiam por ele provocar-lhes as emoções que não querem sentir...
O pobre suscita-lhes conflitos emocionais e morais e põe em questão os valores em que vivem. Estas pessoas não querem sentir as emoções humanas e sentem-se ameaçadas, irritadas e incomodadas por elas. Querem uma vida sem sentimentos ou desenvolvimento emocional. Sua vontade é continuar suas vidas fechadas em suas conchas e seladas em seus túmulos, sem se preocuparem com o outro e a condição humana em que o outro se acha. Amor, compaixão e ternura são palavras estranhas no seu vocabulário e não há lugar para isso no seu coração gelado. São morto-vivos ambulantes na prisão do seu mundo solitário, rejeitando qualquer sinal de liberdade ou crescimento emocional.
Pe. Anthony Mellace

A Mulher e a Nova Cultura

A importância da mulher

           O homem através da mulher, descobre um mundo que, graças a ela é possível conhecer. Se não fosse pela mulher, ser-lhe-ia oculto aos seus olhos metade do seu ser e existência. Com a presença e ajuda da mulher porém, o ser do homem se revela por inteiro e na luz da natureza feminina, o homem se descobre e também consegue revelar tudo isso para a mulher, mas este processo de mútua revelação acontece somente por meio de um profundo e autêntico amor. O sensualismo é incapaz de efetuar tal manifestação, ele não vai além da pele, enquanto o amor penetra o espírito. O homem e a mulher são um para o outro, como um “espelho” onde é possível ver sua própria imagem. Isso explica, às vezes, a razão pela qual um homem pode chegar a ponto de lutar com um desejo apaixonante por uma mulher e não por um prazer físico. A aproximação espiritual a que ele inconscientemente aspira e que só ela lhe pode conceder, o cativa; a mulher tira o homem da solidão e o leva para além dos limites da sua pessoa.
Os grandes artistas, confessam que sem a inspiração de uma mulher em suas vidas, não seria possível realizar uma obra artística. Embora a mulher não apareça na manifestação destas obras, sem a sua influência e força invisível, a criatividade do artista seria apenas algo superficial. Nem o próprio Deus podia esperar que o artista se revelasse no seu trabalho sem primeiro dar-lhe uma mulher para proporcionar-lhe inspiração. A mulher, na verdade, dá a metade de um mundo para o homem e a união entre eles é ainda mais importante, sadia e poderosa que qualquer associação de pessoas que fosse somente constituída de homens ou de mulheres. Na falta de uma influência masculina ou feminina, alguns grupos caíram na mesquinhez da unilateralidade.
As congregações religiosas que tiveram sua parte complementar foram, pois, as mais fortes, duradouras e com maior número de membros. Basta lembrar, como exemplo, beneditinos/beneditanas, franciscanos/franciscanas, dominicanos/dominicanas, carmelitas/carmelitas, salesianos/salesianas, etc. Os santos, também, que possuíam a maturidade de cooperar com as mulheres deram muitos frutos para o reino de Deus: Sao Geronimo e Santa Paula, São Francisco e Sta. Clara, São João da Cruz e Santa Teresa de Ávila, São Francisco de Sales e Santa Joana Chantal, Sao Vicente de Paula e Santa Louisa de Marillac, etc. Será que hoje em dia o individualismo marcante que invadiu as congregações religiosas e que as deixou fechadas em si, como ilhas solitárias na Igreja, não teria sido uma das causas das crises, problemas de rigidez e intolerância, insegurança, desconfiança e falta de cultura que elas atravessam? Não seria melhor cultivar uma maior colaboração, abertura e intercâmbio de propostas, idéias, experiências de vida, diálogo, etc., entre os homens e mulheres de Deus, para que esta nova amizade (baseada na dignidade e respeito pelo dom e singularidade de cada um e o enriquecimento mútuo no amor de Deus) pudesse dar um fruto eficaz e permanente?
Pe. Anthony Mellace